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Entrevista: As lições de Mundell, Nobel de Economia e "pai" intelectual do euro
 

 

Ernani Hickmann
Diretor da MEB - Melhor Educação do Brasil, Conveniada FGV
Professor da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE - FGV)

Coordenador dos Cursos de Graduação Lato Sensu da FGV
 

Fonte: http://www.coreconrs.org.br/economia-em-dia/1586-as-licoes-de-mundell-nobel-de-economia-e-pai-intelectual-do-euro.html

Qual o legado para a economia contemporânea, de referência pelo economista Robert Alexander Munde em 1999 e considerado o “pai” intelectual do euro, falecido na última semana, na Itália?

Mundell nasceu em 24 de outubro de 1932, em Kingston/Ontário, no Canadá. Grauou-se pelo Departamento de Economia da Universidade Britânica de Colúmbia (UBC), em Vancouver. Obteve seu mestrado na Universidade de Washington, em Seattle, e freqüentou o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), onde seu doutorado em economia. Principais contribuições foram, por um lado, a economia da oferta, atual economia surgida na década de 70, por influência de Mundell e de Arthur Laffer, que analisa o efeito das diminuições de carga fiscal sem que consideravelmente custos na despesa pública. Em segundo lugar, a contribuição dele para a macroeconomia internacional, ao colocar seus modelos macroeconômicos para o desenvolvimento de economias fechadas, provocando uma mudança de comportamento de ideias nos demais países. E, depois, a própria criação, junto com Marcus Fleming, do chamado Modelo Mundell-Fleming, de economia aberta, e a criação dos desenvolvimentos das áreas ótimas de moedas. Uma moeda única sobre as condições e características devem ter determinados países, estados ou regiões.

 

Nos anos 70, ele teve uma participação muito direta junto ao governo Reagan. Como foi essa ação?

 

A maior contribuição de Mundell aconteceu, a meu ver, na época do presidente Reagan, nos EUA. Ele, com sua década ao presidente, criou as condições que tiveram hoje a grande revolução da informática, de internet, de internet, basicamente, de tudo o que se segue. em termos de modernização tecnológica do mundo.

 

Que mudanças foram propostas?

 

Até a época da época Reagan as empresas e grandes empresas dos EUA, taxadas pelo imposto renda da pessoa jurídica, com uma alíquota marginal de mais de 70%. Isso quer dizer que os lucros superiores a um patamar relativamente baixo, o lucro adicional era tributado em 70 a 75%, o que leva à ausência total de investimentos. Se você vai um investimento que vai ter que entregar 75% dos seus resultados para o governo, você não vai investir. E foi uma tentativa, ao lado dele, junto com o presidente Reagan, sobre a necessidade de reduzir alíquota para a necessidade de ponderação normal, que era de finanças. Então, os lucros das empresas, que eram tributados em 75% baixaram para 25%, gerando um grande fluxo de investimentos privados no de novas tecnologias. Como grandes empresas e empresas investiram e investiram e criaram a informática, isso mudou o mundo. Por isso, considero a principal contribuição dele à economia. Com esse ativo aos investimentos, e isso está ligado à economia da oferta, a qual Mundell era talvez o principal teórico.

 

O senhor, como amigo dele, discutia seguidamente esses pensamentos e contribuições?

Discute longamente com contribuições Mundell, já que ele foi o meu orientador no Pós-Doutorado na Universidade de Columbia, lá pelos anos de 1991, 92, 93. Depois disso, o acompanhamento em organizações de eventos internacionais. Participamos juntos do Reinventing Brettonwoods Commitee, que reunia algumas vezes por ano, em diversos países, um grupo de economistas do mundo inteiro, para discutir políticas cambiais e uma nova arquitetura financeira internacional para substituir a que tinha sido criada após uma segunda grande guerra. O grupo se chamava Reinventando Brentwoods. Viajava pelo mundo todo, todas as semanas um país, ministrando aulas, dando conferências, assessorando governos e organizações privadas. Estava com ele no dia de seu aniversário, em 2014, e nos encontraríamos novamente no dia seguinte para almoçar com seus filhos. Só que,

 

Qual a relação do Modelo Mundell-Fleming com o keynesianismo?

Basicamente o modelo maioriano, assim como as popularizações do mesmo, que as pessoas conhecem como sendo o modelo IS/LM, é um modelo de uma maioria fechada, onde foi a chave da macroeconomia setor externo. Mundell internacional o modelo keynesiano, que tinha sido popularizado por John Hicks, passando a incluir como variáveis ​​externas, permitindo fórmulas políticas compensadas e fiscais para um mundo globalizado.

 

Como chegou ao Prêmio Nobel de Economia?

Prêmio Nobel de Economia Mundial em 1999, por suas contribuições na área das políticas monetárias, fiscal recebida e por ter criado a teoria das áreas ótimas, que serviu de base para a criação de moedas de âmbito multinacional, como o euro .

 

O professor Mundell esteve em Porto Alegre no ano 2000. O que o trouxe aqui?

Eu e ele organizamos, em abril e maio de 2000, pela Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas, uma grande conferência internacional, "Mercosul - O Desafio de uma União Monetária". suas possibilidades de criação de uma moeda única do Mercosul. mundo todo, inclusive o então todo poderoso ministro da economia argentino, Domingos Cavalo. Foi o evento comemorativo ao lançamento do primeiro número do Jornal Valor Econômico.